Eu Sou o Rocky é ovacionado em Toronto e aumenta o hype para o filme

Imagem / Divulgação/Reprodução/Amazon MGM Studios/ Eu Sou o Rocky
Há uma ironia difícil de ignorar em Eu Sou o Rocky.
O filme conta a história de um ator desconhecido que precisou enfrentar uma sequência de portas fechadas para transformar seu próprio roteiro em um dos maiores filmes de Hollywood. Agora, décadas depois, a história desse azarão chega a Toronto e encontra uma reação que combina perfeitamente com a trajetória que está retratando: o público se levantou para aplaudir.
Eu Sou o Rocky — título internacional I Play Rocky — teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 12 de setembro de 2026 e recebeu uma forte ovação no Princess of Wales Theatre. A reação colocou o filme imediatamente no radar da temporada de premiações, embora as primeiras críticas mostrem que a recepção não foi unânime.
E existe um detalhe que torna tudo ainda mais curioso: o diretor Peter Farrelly já conhece muito bem o caminho entre Toronto e Hollywood. Green Book, seu filme de 2018, venceu o People’s Choice Award do festival antes de conquistar o Oscar de Melhor Filme. Isso não significa que Eu Sou o Rocky repetirá a trajetória, mas explica por que a recepção em Toronto ganhou tanta atenção.
Vídeo/ Divulgação/Reprodução/Amazon MGM Studios/ Eu Sou o Rocky
Eu Sou o Rocky foi ovacionado em Toronto
A estreia aconteceu no sábado, 12 de setembro, durante o TIFF 2026. Ao final da sessão, o público do Princess of Wales Theatre ficou de pé para aplaudir o filme de Peter Farrelly. Relatos do festival também registraram aplausos durante a exibição, especialmente nas sequências que recriam momentos conhecidos de Rocky.
A reação é relevante, mas precisa ser colocada em perspectiva. Uma ovação em festival é um indicador de entusiasmo da plateia presente, não uma garantia de sucesso comercial ou de reconhecimento no Oscar. Ainda assim, quando o filme em questão é uma produção sobre um dos grandes exemplos de azarão da história do cinema, a recepção acaba ganhando um significado especial.
Farrelly percebeu essa conexão imediatamente. Em Toronto, o diretor lembrou que sua experiência anterior no festival, com Green Book, também foi marcada por uma recepção muito positiva. O longa venceu o People’s Choice Award em 2018 e posteriormente levou o Oscar de Melhor Filme.
A comparação, portanto, já começou a aparecer no noticiário. Mas é melhor tratá-la como contexto, não como previsão.
O que Eu Sou o Rocky já conquistou é algo mais simples — e bastante valioso para um filme que ainda nem chegou ao grande público: as pessoas que o assistiram em Toronto parecem ter gostado muito dele.
A história real por trás de Rocky
A premissa é praticamente uma história de Rocky aplicada à vida de Sylvester Stallone.
O filme acompanha Stallone antes da fama, quando ele ainda era um ator desconhecido tentando conseguir espaço em Hollywood. Interpretado por Anthony Ippolito, o jovem Stallone passa pela fase em que trabalha para sobreviver, escreve roteiros e tenta encontrar uma oportunidade que finalmente lhe permita atuar em um papel relevante.
Essa oportunidade surge quando ele escreve Rocky.
O problema é que os produtores querem o roteiro, mas não necessariamente querem Stallone como protagonista. E ele estabelece uma condição que, para alguém naquela situação profissional, poderia parecer absurda: se Rocky fosse produzido, ele queria interpretar Rocky Balboa.
É aí que a história real começa a espelhar a ficção de maneira quase perfeita.
Rocky Balboa é um lutador desconhecido que recebe uma oportunidade improvável e decide aproveitá-la. Stallone, por sua vez, era um ator desconhecido tentando convencer Hollywood de que não queria apenas vender uma história sobre um azarão — queria ser o homem que interpretaria esse azarão.
O filme acompanha justamente essa batalha, incluindo as negociações para colocar Rocky de pé, a participação dos produtores Irwin Winkler e Robert Chartoff e a chegada de John G. Avildsen à direção. Também aparecem personagens ligados à produção original, como Carl Weathers e figuras importantes da vida de Stallone.
Existe, portanto, uma vantagem narrativa que nenhum roteirista precisou inventar.
A própria história por trás de Rocky já era uma história de azarão.
Anthony Ippolito parece mesmo Sylvester Stallone

Imagem / Divulgação/Reprodução/Amazon MGM Studios/ Eu Sou o Rocky
Se existe um elemento que aparece repetidamente nas primeiras críticas de Eu Sou o Rocky, é Anthony Ippolito.
A semelhança física chamou atenção, mas não é apenas isso. Críticos também destacaram a maneira como o ator reproduz a voz, a postura e os maneirismos de Stallone sem transformar a atuação em uma simples imitação. A Variety, por exemplo, destacou justamente a combinação entre a aparência e a maneira de falar do ator.
Ippolito também passou por uma preparação extensa para o papel. Em entrevista à GQ, ele contou que se preparou por quase dois anos e ganhou cerca de 40 libras — aproximadamente 18 kg — para se aproximar fisicamente do jovem Stallone. O treinamento incluiu boxe e outras etapas voltadas à transformação física e comportamental.
O mais importante, porém, parece estar em outra escolha.
Ippolito não está interpretando o Stallone que o público conhece depois de décadas de fama. Está interpretando o homem que ainda não havia se tornado Sylvester Stallone.
Essa diferença é fundamental.
Uma imitação perfeita poderia produzir uma caricatura divertida. Para sustentar um longa inteiro, seria necessário encontrar também a insegurança, a obstinação e a personalidade do ator que estava tentando sobreviver em uma indústria que ainda não havia decidido se queria apostar nele.
As primeiras críticas sugerem que Ippolito conseguiu fazer justamente isso. A Variety foi particularmente elogiosa, enquanto outros veículos também apontaram a atuação como um dos principais motivos para acompanhar o filme.
O filme parece entender por que Rocky se tornou tão especial
Existe uma diferença importante entre fazer uma cinebiografia sobre alguém famoso e fazer um filme sobre como uma obra famosa nasceu.
Eu Sou o Rocky escolhe a segunda possibilidade.
A história não está interessada apenas em mostrar Stallone como uma futura estrela. Ela acompanha o processo que levou à criação de Rocky e, com isso, pode explorar algo particularmente interessante para quem gosta de cinema: como limitações financeiras, negociações, escolhas criativas e improvisos acabaram ajudando a formar o filme que conhecemos.
As primeiras críticas destacam justamente as recriações de momentos do clássico de 1976. A Variety chama atenção para o cuidado com essas reconstruções, enquanto outras análises apontam que o longa abraça deliberadamente a nostalgia e o vínculo afetivo que o público possui com Rocky.
Mas esse também é um dos pontos em que aparecem as primeiras divergências.
O Guardian considerou que o filme depende demais do fan service e da nostalgia e que falta profundidade emocional em determinados momentos. A Screen Daily foi ainda mais crítica em relação à abordagem, descrevendo o longa como uma reprodução sentimental que nem sempre encontra a humanidade do filme original.
Isso não invalida a recepção positiva de Toronto. Apenas mostra que o entusiasmo do público e a avaliação crítica não são exatamente a mesma coisa.
E essa diferença torna o filme mais interessante de acompanhar.
Será que Eu Sou o Rocky pode passar de US$ 1 bilhão?

Imagem / Divulgação/Reprodução/Amazon MGM Studios/ Eu Sou o Rocky
Aqui é importante separar hype de previsão.
Não existe, neste momento, base suficiente para tratar uma bilheteria de US$ 1 bilhão como expectativa concreta para Eu Sou o Rocky. O filme ainda está antes de seu lançamento comercial e sua recepção em Toronto, por mais positiva que tenha sido, não permite transformar esse número em uma previsão confiável.
Mas a pergunta não é completamente descabida quando pensamos no potencial de público da produção.
O filme tem como protagonista a história de origem de Rocky, uma das franquias esportivas mais reconhecidas do cinema. Também chega às telas no ano em que o longa original completa 50 anos, o que oferece uma oportunidade natural de explorar a memória afetiva em torno da obra.
Além disso, a recepção inicial de Eu Sou o Rocky foi forte o suficiente para colocá-lo nas conversas de premiação, enquanto Anthony Ippolito se tornou um dos elementos mais elogiados do filme.
Mas há uma diferença entre ter potencial para encontrar um público amplo e chegar perto de US$ 1 bilhão.
O lançamento comercial começa de forma limitada em 6 de novembro de 2026, com expansão nacional nos Estados Unidos em 20 de novembro.
Até lá, a variável mais importante será o boca a boca. A reação de Toronto é um primeiro sinal; a resposta do público fora do circuito de festivais será outra história.
Eu Sou o Rocky está me deixando cada vez mais empolgado
O que torna Eu Sou o Rocky particularmente atraente não é apenas a possibilidade de rever cenas conhecidas de Rocky. É a oportunidade de acompanhar uma história que, em certo sentido, já possuía a estrutura de um filme de azarão antes mesmo de Rocky Balboa existir.
Stallone precisava convencer produtores de que aquele roteiro merecia ser produzido. Mais do que isso, precisava convencê-los de que ele próprio deveria interpretar o personagem principal.
Essa insistência acabou sendo parte fundamental da história do filme original. E é justamente esse conflito que dá ao novo longa uma razão para existir além da nostalgia.
As primeiras reações sugerem que Peter Farrelly encontrou uma maneira bastante acessível de transformar esse episódio da história de Hollywood em entretenimento. A ovação em Toronto é um sinal claro de que a proposta funcionou para aquela plateia, enquanto as críticas publicadas depois da estreia mostram um quadro mais dividido: há elogios fortes à atuação de Ippolito e ao caráter de crowd-pleaser, mas também críticas à dependência de nostalgia e à falta de maior profundidade.
E, para mim, existe uma ironia que combina perfeitamente com tudo isso.
Rocky nasceu da história de um sujeito que se recusou a aceitar que aquela oportunidade não era para ele. Agora, meio século depois, Eu Sou o Rocky chega ao cinema contando exatamente essa história — e já começa sua própria trajetória diante de uma plateia que decidiu ficar de pé para aplaudi-la.
Agora falta a parte mais importante: descobrir se essa reação de Toronto será apenas uma ótima noite de festival ou o primeiro capítulo de uma campanha realmente forte para o filme.
Por enquanto, uma coisa parece certa: o azarão já entrou no ringue.
