A Hora do Rush 4: Jackie Chan e Chris Tucker estão de volta, mas o filme precisa fazer valer a espera

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Eu já perdi a conta de quantas vezes A Hora do Rush 4 pareceu estar perto de acontecer.

Durante anos, o quarto filme virou quase uma piada entre os fãs: o projeto era anunciado, o roteiro avançava, surgiam novos obstáculos e tudo voltava para a gaveta. Agora, porém, existe uma diferença importante. O filme está efetivamente em desenvolvimento, a Paramount assumiu a distribuição em parceria com a Warner Bros., Brett Ratner está associado novamente à direção e Jackie Chan e Chris Tucker continuam ligados às negociações para retornar como Lee e Carter.

Ainda existem obstáculos, especialmente nas negociações com os dois protagonistas. Mas Chris Tucker confirmou em agosto de 2026 que as conversas sobre A Hora do Rush 4 continuam. Depois de tantos anos de incerteza, isso já coloca o projeto em uma situação bem diferente dos antigos rumores.

E é justamente aí que começa a parte mais interessante.

Porque fazer A Hora do Rush 4 acontecer é uma coisa. Fazer um bom A Hora do Rush 4 é outra.

A Hora do Rush 4 finalmente está acontecendo?

A resposta mais precisa, neste momento, é: o filme está em desenvolvimento, mas ainda não existe uma data de estreia nem uma produção plenamente consolidada.

A Paramount foi anunciada como distribuidora do longa, enquanto a Warner Bros. permanece ligada aos direitos da franquia. Brett Ratner, responsável pelos três filmes anteriores, também está associado ao projeto.

O principal problema está nas negociações com Jackie Chan e Chris Tucker.

Em abril, o jornalista Matthew Belloni, da Puck, informou que os produtores ainda não tinham fechado contratos com os dois atores. Segundo suas fontes, ofertas iniciais de cerca de US$ 8 milhões para cada um foram recusadas; os dois haviam recebido valores significativamente maiores em A Hora do Rush 3. O planejamento de produção, que envolvia locações como China, África e Arábia Saudita, também sofreu alterações.

Isso não significa que o projeto tenha sido cancelado. Pelo contrário. Em agosto, Tucker voltou a falar publicamente sobre A Hora do Rush 4 e confirmou que as conversas continuam.

Portanto, existe uma diferença importante entre dizer que o filme está confirmado como lançamento e dizer que ele está avançando.

A segunda afirmação é a mais segura.

Por enquanto, ainda não temos uma data para colocar no calendário.

Jackie Chan e Chris Tucker precisam voltar

Imagem / Divulgação / Warner Bros. / Paramount Pictures / A Hora do Rush

Aqui existe pouco espaço para discussão.

A Hora do Rush pode ganhar novos personagens, mudar o tipo de investigação ou até apresentar uma geração diferente de policiais. Mas substituir Lee e Carter por outra dupla seria transformar o projeto em outra coisa.

A química entre Jackie Chan e Chris Tucker sempre foi o centro da franquia. O humor nasce justamente do contraste entre eles: Lee é mais contido, disciplinado e acostumado a resolver problemas com precisão; Carter transforma quase qualquer situação em uma mistura de improviso, provocação e confusão.

Isso funciona porque os dois atores têm energias muito diferentes.

Chan também traz uma característica que ajudou a definir a identidade visual dos filmes: suas cenas de ação não dependem apenas de golpes. Objetos, ambientes, quedas, perseguições e improvisos fazem parte da coreografia. É o tipo de ação que transforma uma escada, uma mesa ou uma porta em parte da luta.

Tucker, por outro lado, faz a comédia continuar acontecendo enquanto tudo desmorona ao redor dele.

É difícil imaginar essa combinação funcionando da mesma maneira com outra dupla.

E existe uma confirmação importante vindo do próprio Tucker. Em agosto de 2026, ao falar sobre seus próximos projetos, o ator disse que as conversas sobre A Hora do Rush estavam acontecendo e que ainda havia possibilidade de voltar a interpretar Carter.

A questão, então, não é apenas conseguir os dois de volta. É encontrar uma história que justifique esse reencontro.

O maior desafio é a idade de Jackie Chan

Jackie Chan nasceu em 1954 e completou 72 anos em abril de 2026. Chris Tucker, nascido em 1971, está com 55.

Isso muda a maneira como um novo filme precisa pensar sua ação.

Não porque Chan não possa mais protagonizar sequências físicas. A questão é que tentar reproduzir exatamente o tipo de espetáculo que ele fazia décadas atrás seria uma escolha pouco interessante. O próprio ator já passou anos discutindo a demora do projeto e, em 2025, brincou que ele e Tucker poderiam chegar aos 100 anos antes de finalmente fazer o quarto filme.

A solução não precisa ser afastar Lee das cenas de ação. Pode ser justamente adaptar a ação ao personagem que ele se tornou.

Um Lee mais experiente pode lutar de maneira diferente. Pode depender mais de técnica, ambiente e estratégia do que de uma sequência interminável de acrobacias. O roteiro também pode escolher melhor os momentos em que vale colocar o personagem em risco, em vez de tentar transformar cada dez minutos em uma demonstração de artes marciais.

Isso abriria espaço para algo que a franquia quase não teve oportunidade de explorar: dois personagens carregando décadas de experiência.

Carter pode continuar sendo Carter, com sua energia caótica e sua incapacidade quase sobrenatural de ficar quieto. Lee pode estar mais paciente, mais consciente dos riscos e talvez até um pouco cansado daquela vida. A graça estaria em colocar esses dois homens novamente juntos e descobrir o que mudou — e o que continua exatamente igual.

Essa é uma evolução muito mais interessante do que simplesmente fingir que o relógio parou.

A história precisa ser mais do que nostalgia

Imagem / Divulgação / Warner Bros. / Paramount Pictures / A Hora do Rush 3

Essa talvez seja a maior diferença entre um reencontro divertido e um filme que realmente merece existir.

Os três primeiros filmes já fizeram o trabalho de apresentar Lee e Carter. Não precisamos assistir novamente à mesma história de dois policiais que não se suportam e acabam aprendendo a trabalhar juntos. O público já conhece essa dinâmica.

O quarto filme precisa encontrar um novo motivo para colocá-los lado a lado.

A franquia original também tem um histórico comercial que ajuda a explicar por que Hollywood continua interessada nela. A Hora do Rush arrecadou cerca de US$ 245 milhões mundialmente, A Hora do Rush 2 passou de US$ 347 milhões e A Hora do Rush 3 chegou a aproximadamente US$ 258 milhões.

Ou seja, não estamos falando de uma continuação sustentada apenas pela lembrança de um filme cult. Existe uma franquia que já provou seu potencial comercial.

Mas bilheteria passada não escreve roteiro.

Jackie Chan, inclusive, deixou claro em 2025 que queria fazer A Hora do Rush 4, enquanto dizia que o roteiro ainda estava sendo desenvolvido. A brincadeira sobre ele e Tucker envelhecerem esperando pelo filme acabou resumindo perfeitamente o problema: a ideia existe há anos, mas encontrar uma história e colocar toda a produção de pé sempre foi a parte difícil.

Por isso, eu preferiria um roteiro que tivesse algo novo para explorar, mesmo que isso significasse diminuir um pouco a quantidade de referências aos filmes anteriores.

A nostalgia pode trazer o público de volta.

Ela não consegue carregar o filme inteiro.

A Hora do Rush 4 precisa entender o que fez a franquia funcionar

O segredo de A Hora do Rush nunca esteve isoladamente nas artes marciais, nem nas piadas, nem nas perseguições internacionais.

Está na relação entre Lee e Carter.

É fácil copiar a superfície de uma franquia. Basta repetir uma fórmula conhecida: uma missão internacional, criminosos perigosos, uma perseguição, algumas lutas e Carter falando mais do que deveria.

O difícil é reproduzir a dinâmica que fazia essas situações terem graça.

Um bom quarto filme poderia brincar justamente com aquilo que mudou. Talvez Carter tenha desenvolvido algum tipo de responsabilidade depois de tantos anos — ou talvez continue sendo incapaz de resistir a uma oportunidade de se meter em problemas. Lee pode estar mais cauteloso, mas ainda ser a pessoa que precisa entrar em ação quando as coisas saem do controle.

Não é necessário inventar uma versão completamente nova dos personagens.

É mais interessante descobrir como personagens conhecidos reagiriam depois de quase vinte anos.

Até porque a franquia tem uma vantagem rara: o tempo real entre os filmes pode ser incorporado à própria narrativa. Não como uma sequência de piadas sobre idade, mas como parte da vida dos personagens.

Isso também permitiria introduzir novos policiais sem transformar Lee e Carter em meros coadjuvantes. Uma dupla mais jovem poderia servir como contraste, mostrando que os veteranos ainda têm muito a ensinar — e talvez algumas dificuldades para acompanhar a nova geração.

Há bastante espaço para humor aí.

E, principalmente, existe espaço para uma história que não dependa de repetir o passado.

Eu quero A Hora do Rush 4 — mas quero um filme de verdade

Imagem / Divulgação / Todos os direitos aos seus respectivos detentores

Sou fã de Jackie Chan e A Hora do Rush é uma das franquias que mais gosto dentro da carreira dele. Então, naturalmente, a possibilidade de ver Chan e Chris Tucker novamente como Lee e Carter me anima.

Mas justamente por gostar da franquia, eu não quero que o quarto filme seja tratado como uma reunião de amigos filmada para aproveitar a nostalgia.

Quero que exista uma razão para essa história voltar.

A melhor versão possível de A Hora do Rush 4, na minha opinião, não seria aquela que tenta provar que Jackie Chan ainda pode fazer exatamente as mesmas coisas de 1998. Seria a que entende tudo o que o ator, Chris Tucker, os personagens e o próprio público acumularam desde então.

A ação pode ser diferente. O humor pode amadurecer em alguns pontos sem perder a identidade. A investigação pode trazer uma escala nova. Lee e Carter podem continuar sendo os mesmos sujeitos que conhecemos, mas carregando uma vida que não estava escrita quando o primeiro filme chegou aos cinemas.

E isso pode ser justamente o que impede o quarto capítulo de parecer uma cópia tardia dos anteriores.

Depois de tantos anos esperando, eu não preciso que A Hora do Rush 4 seja maior do que os outros.

Só preciso que exista uma boa razão para Lee e Carter voltarem.